capitulo 2 A primeira vista
A recepção está vazia, e não é pra menos são quase duas da manhã, nessa
hora os casais que estão hospedados já devem todos estar aconchegados em suas
camas, com todo esse clima, o que fazer a não ser amar? Nesse momento ouço um
ronco de motor, uma moto, um freio. Olho pela porta de vidro que está a minha
frente, e mal posso acreditar quando vejo uma BMW. O piloto está todo de preto
exceto por alguma logomarca branca que tem em seu capacete. Meu Deus! Será que
meu príncipe encantado apareceu? - E começo a rir sozinha, lembrando da minha
mãe. Ela sempre falou que eu tinha um gosto um tanto peculiar para as coisas,
tanto que ela achava que eu era a única mulher no mundo a não sonhar em um dia
encontrar um príncipe encantado, ao que eu ria e dizia que sonhava sim, só que
no meu sonho ele não chegava a cavalo, mas numa moto. Que belo presente de
aniversário seria se ele me chamasse para dar uma volta, nunca andei numa moto
tão potente, acho que vou perguntar se ele quer me levar pra passear. Enquanto
cogito na possibilidade de falar com quem quer que seja que tem chegado naquele
belo brinquedo, vejo aproximar-se da porta, e tirar o capacete.
Não sei se ele tirou o capacete lentamente ou se isso é um delírio da
minha mente diante daquele magnífico espetáculo que é a criação de Deus. Agora,
todos os meus devaneios sobre pedir qualquer coisa se foram. Minha nossa que
homem é esse? Sempre tive bom gosto para homens, mas isso não é um homem
qualquer é a mais pura inspiração divina, seu cabelo castanho cortado de
maneira que não é curto o suficiente para parecer militar e nem cumprido que
pareça descontraído, os olhos que não se podem distinguir entre o azul e o
verde, a boca... Que boca é aquela! Parece que desenharam um coração no seu
lábio superior. E no momento que eu fico imaginando aquela boca linda na minha
ele está à porta.
- Que chuva hein? – Pergunta ele.
Estou muda, o que aconteceu
comigo, vamos Adalgisa, responda alguma coisa. Não consigo simplesmente, responder.
Parece que minhas pernas travaram e que há uma mordaça impedindo que as
palavras saiam de minha boca.
- Quem diria que ia chover? - Pergunta mais uma vez.
Vamos menina o que é isso, não
seja boba, é um simples comentário, você nunca se intimidou com ninguém,
responda ou vai parecer uma pessoa sem educação. Responda! – Indago a mim
mesma.
- Oi. – Respondo em voz baixa.
Ai minha nossa! Oi, isso é o que
você responde? Ele comenta sobre a chuva e você diz oi. – Penso comigo mesma.
- Está tudo bem? – Ele pergunta.
Pronto, agora era só que faltava
sua tonta, o homem aí parado comentando uma coisa casual ao que você só deveria
responder: - Pois é ninguém imaginava. E você diz oi e emudece de novo, agora
não há dúvida de que ele notou que você está toda derretida com a beleza dele.
Ah! Adalgiiiisa você tem que responder.
- Sim. – Respondo prontamente.
No instante em que eu falo, ele
se dirige ao balcão da recepção. Mas, porque que eu fui tão estúpida? Não consegui
dizer nada além de oi e sim! Agora, deixei passar a oportunidade de pelo menos
tentar conversar um pouco com esse Deus grego. Porque que eu não fiz algum
comentário sobre a chuva ou coisa assim? Pelo menos teria segurado ele por mais
um ou dois minutos quem sabe. Estou morrendo de vergonha, e não sei de quê,
afinal ele não me conhece, provavelmente eu nunca mais o verei! E isso, foi
apenas duas palavras trocadas entre dois desconhecidos. Acho que esse é o meu
problema duas palavras. Como é que eu vejo um homem lindo falar comigo e eu só
respondo oi e sim. A chuva amenizou e eu vou para o quarto, me esconder de
minha própria vergonha. As meninas não vão acreditar quando eu contar pra elas
a minha cara de boba diante de um desconhecido.
O dia amanhece e o sol parece que
resolveu se esconder realmente. A serração, ao menos pra mim que quase nunca
posso admirar, é realmente um espetáculo. A Lêle mal consegue se levantar, acho
que realmente ela passou da conta ontem. A Bia ainda está dormindo, deve ter
muito sono acumulado devido aos plantões.
- A Bia já acordou? – Pergunto.
-Não, está toda coberta ali
embaixo dos cobertores. – Lêle responde.
Nós rimos e Lêle continua:
- Eu avisei. A medicina vai te
dar olheiras.
Rimos ainda mais, lembrando de
quando a gente brincava com ela pela profissão que ela escolheu, todos nós
precisamos de um médico claro, mas todas sabíamos também o quanto a profissão
pode ser exaustiva.
- Isa, acho que passei um pouco
da conta ontem. – diz Lêlê
- será?
- Ai meu Deus Isa o que foi que
eu fiz? Ela fala e ri
- Além de dar em cima de
desconhecidos discaradamente?
- Não acredito que eu fiz isso?
Mentira você tá brincando não é?
Eu rio e a tranquilzo
- é verdade; mas tudo bem todo
mundo levou na brincadeira.
- o quê? Ninguém me levou a
sério?
E completa em tom de piada.
- Agora eu não sei se fico triste
ou feliz, pensei que todos iam se jogar aos meus pés implorando pra que fosse
verdade.
Rimos . E rimos tão alto que a
Bia começou a se mexer com que estivesse lutando pra continuar dormindo
- shhhh, vamos deixar ela dormir
mais.
- Isa você poderia ir pegar algum
remédio pra mim na farmácia, minha cabeça está estourando.
E faz aquela cara , igualzinho o
gato de botas no filme do shrek.
- Vou. Mas como é que a gente
viaja com uma médica e não temos um remédio?
Rimos. Só que agora fechando a boca com as mãos para abafar
os ruídos. Acho que até hoje a gente não acredita que ela é médica. Pego as
chaves do carro, minha bolsa, e vou ainda contagiada pelo riso da Lêle, acho na
verdade que nem existe motivo pra rir, mas sempre que nos encontramos é assim.
Pronto, achei meu livro... curiosa hahaha
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